quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Martha Medeiros - Toma lá, dá cá




Toma lá, dá cá


Vai acabar o Toma Lá, Dá Cá, é o boato que corre.
Já pensou se fosse verdade?
Não precisaríamos mais testemunhar as cenas que se repetem há séculos na TV e que ninguém acha engraçado. Atores de última categoria falando sempre o mesmo texto e interpretando o mesmo personagem. Um elenco canastrão que embolsa uma fortuna para perpetuar a própria caricatura e que apesar disso tem sempre um papel garantido: ano que vem eles estarão dando as caras na nossa telinha, de novo.
Esse toma lá, dá cá está no ar desde muito antes de a gente nascer. E o que temos feito de prático contra esse repeteco imoral? Nada. Ligamos a TV, sentamos no sofá e assistimos. No dia seguinte, comentamos com o vizinho, com o colega de trabalho: você viu aquela cena da meia? É só uma variação da cena da cueca feita por aquele outro. E o que você achou da cena dos atores rezando depois do golpe efetuado? Ah, essa ao menos foi original.
Só tem bandido nesse enredo. E a emissora não dá a mínima pra baixa qualidade da produção: muda o dono do negócio de quatro em quatro anos, de oito em oito, e ninguém tira essa indecência do ar. Seguem todos na grade da programação. Atrás das grades, nem um único figurante.
Mas vai acabar o toma lá, dá cá, ouvi dizer.
Eu só acredito não vendo. Não vendo mais o dinheiro passar de mão em mão entre as estrelas da vigarice instituída, enquanto a audiência de patetas segue assistindo toda essa encenação feita pelos "representantes" do povo.
Só acredito não vendo mais esses charlatões soltos e se reproduzindo fora do cativeiro, ladrão gerando ladrão. Só acredito não vendo mais as imagens filmadas em Brasília, a maior cidade cenográfica do mundo, a ilusão de ótica da política brasileira, uma capital de fachada.
É a celebração do amadorismo: não há qualidade de áudio e vídeo, o figurino é uma pobreza, os diálogos são sofríveis, mas não é por falta de caixa. O dinheiro sobra e todos roubam a cena e o que mais conseguirem levar.
Esse toma lá, dá cá é um erro histórico e eterno. Um festival de falhas de gravação, em que ninguém faz nada direito e acabam rindo por último. Nunca deram a mínima pra quem está por trás das câmeras, assistindo tudo de dentro de casa. A audiência é algo que eles têm na mão, já que do lado de cá ninguém se move, ninguém faz nada pra tirar essa história do ar. Por isso ela se repete há gerações, o mesmo roteiro requentado, os mesmos tipos, o mesmo texto. Um deboche. Uma novela sem previsão de último capítulo e que abusa das reprises.
Dizem que o Toma Lá, Dá Cá vai acabar. O programa do Falabella, eu não sei, mas o toma lá dá cá dos políticos, pelo visto, terá vida eterna. Como a reação popular não salta dos jornais para ganhar as ruas, tudo indica que seguiremos na mão desses artistas.
Beijo!
MARTHA MEDEIROS

Fonte: Blog da Martha Medeiros

3 comentários:

Rita disse...

Oi amiga seu blog é muito fofo!
Passo por aqui para desejar-lhe um ótimo fim de semana.
Rir é correr risco de parecer bobo
Chorar é correr risco de parecer sentimental
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro EU
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de parder a amizade das pessoas
Amar é correr o risco de não ser correspondido
Viver é correr o risco de morrer
Confiar é correr o risco de se decepcionar
Tentar é correr o risco de fracassar
Poré, os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é o de não arriscar nada
A pessoa que não corre nenhum risco, não faz nada, não tem nada, não consegue nada
Ela pode evitar sofrimentos e desilusões, mas não sente, não muda, não cresce, não ama, não vive
Acorrentada por suas atitudes, torna-se escrava e priva-se da liberdade
Por isso, somente a pessoa que corre riscos é totalmente livre.

Silvana disse...

Linda

Como disse ontem, achei mesmo que ela falava do seriado da tv...hahaha

Mas ela nos pegou de calças curtas heim?

Adoro tudo que a MM escreve!

Beijoooo

Marga disse...

Sil!!
Pensei que ela tivesse falando das novelas, hahahahahha.
Adorei o texto, ele é demais.
Bjs

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